Artrite Reumatoide: o que é?

A BMS acredita que a educação é o primeiro passo no combate a uma doença ou problema grave de saúde. Aqui você encontrará informações que lhe ajudarão na sua jornada.

04/10/19

Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune, que acomete as articulações. Sua principal característica é a inflamação articular persistente que causa dores, deformidades progressivas e incapacidade funcional. É mais frequente em mulheres e costuma se manifestar entre 30 e 50 anos, mas também pode acometer homens.

AR se desenvolve devido à combinação de fatores genéticos e a presença de estímulos externos, especialmente o tabagismo. Esta doença pode apresentar diferentes formas de evolução, de leve a grave. Uma característica da AR é a rigidez matinal superior a uma hora, ou seja, os pacientes acordam com dificuldade em movimentar as articulações, que geralmente melhora ao longo do dia.

Um pouco menos comum, a doença pode acometer órgãos ou tecidos como a pele, músculos, rins, coração, pulmão, sistema nervoso, olhos e sangue.

Nossas articulações são “dobradiças” que permitem os movimentos. São formadas por ossos revestidos na parte articular por um tecido com a função de amortecer os impactos da cartilagem, mantidos por uma estrutura chamada de cápsula articular.

A parte interna desta cápsula é revestida por um tecido denominado de sinovial, que produz um líquido que lubrifica a articulação e nutre a cartilagem. É neste local que ocorre a reação inflamatória crônica característica da AR.

A sinóvia é um tecido muito vascularizado com terminais sensitivos que, quando sofre uma reação inflamatória persistente, como a que ocorre na AR, aumenta de tamanho e produz uma quantidade maior de líquido sinovial, que originam as alterações responsáveis pelos sinais da artrite: dor, vermelhidão, calor, inchaço e perda de função da articulação. É esta sinovite (inflamação da sinóvia) persistente que é responsável pelas sequelas da doença como atrofia muscular, desalinhamento articular, erosões dos ossos e destruição da cartilagem (artrose secundária à artrite).

A AR pode ocasionar também inflamação crônica em outras estruturas, como tendões e bursas (bursites), e mesmo inflamação persistente de outros tecidos, como membranas que envolvem os pulmões (pleura) ou o coração (pericárdio), olhos e vasos em várias regiões do corpo.

Também faz parte do quadro da AR o surgimento de nódulos na pele (subcutâneos), que costumam ser indolores.

Evolução da AR:

  • Evolução variável, desde formas amenas, com sintoma de dor em algumas articulações por certos períodos do dia, até formas persistentes e progressivas, com limitação funcional e incapacidade física.
  • A doença tem curso flutuante, ou seja, pode variar de períodos em remissão (“doença fica calma” ou inativa) e períodos de reativação.

Diagnóstico:

O diagnóstico da Artrite Reumatoide é feito pelo médico especialista (Reumatologista) por meio de consulta e exames que incluem busca de sintomas de atividade da doença, avaliação do estado funcional, evidências objetivas de inflamação articular e lesão radiográfica.

Para obter um diagnóstico seguro, o médico necessitará da pesquisa do fator reumatoide, mesmo não sendo este elemento determinante, pois ele está presente em 75% dos pacientes. O conjunto de todas as averiguações, como provas inflamatórias, confirmam a existência de um processo inflamatório. Também são necessárias radiografias para avaliar a extensão da lesão ou averiguar se os ossos e as cartilagens apresentam alterações. Lembre-se que para um diagnóstico precoce correto é essencial uma avaliação específica, atenta e completa.

Os seguintes exames complementares poderão ser solicitados:

  • Hemograma completo
  • Velocidade de hemossedimentação (VHS)
  • Proteína C Reativa (PCR)
  • Anti-CCP
  • Fator reumatoide (FR)
  • Radiografia das articulações das mãos, pés e demais articulações comprometidas

Tratamento:

O início imediato do tratamento é extremamente importante para o controle adequado da AR, prevenindo a incapacidade funcional e lesão articular irreversível. Os objetivos principais do tratamento são:

  • Prevenir ou controlar a lesão articular
  • Prevenir a perda de função
  • Diminuir a dor e maximizar a qualidade de vida

O tratamento medicamentoso varia de acordo com o estágio da doença, atividade e gravidade. Os anti-inflamatórios são a base do tratamento seguidos de corticoides para as fases agudas e drogas modificadoras do curso da doença, a maior parte delas imunossupressoras. Os agentes imunobiológicos também compõem as opções terapêuticas. O tratamento medicamentoso é sempre individualizado e modificado conforme a resposta de cada paciente. Em alguns há indicação de tratamento cirúrgico, como a sinovectomia para sinovite persistente e resistente ao tratamento conservador, artrodese, artroplastias totais etc.

A fisioterapia e a terapia ocupacional contribuem para que o paciente possa continuar exercendo as atividades diárias. A proteção articular deve garantir o fortalecimento da musculatura periarticular e adequado programa de flexibilidade, evitando o excesso de movimentos.

Recomendações gerais:

Alguns cuidados básicos ajudam a reduzir os desconfortos e facilitam a convivência diária com a AR. Procure seguir as dicas e recomendações abaixo, mas peça sempre orientação para o seu médico.

  • Evite o sedentarismo. Entre muitos benefícios, exercícios físicos adequados aumentam e fortalecem a musculatura, ajudando a proteger as articulações. Importante: excesso de atividades assim como repouso prolongado podem acelerar o processo degenerativo.
  • Evite pegar peso. No caso de objetos muito pesados, opte por utilizar um carrinho de mão com rodas.
  • Ao realizar qualquer atividade, procure executar as tarefas e movimentos com tempo e calma.

A boa alimentação também pode se tornar uma aliada muito importante na convivência e no tratamento da AR. Se possível, contar sempre com um acompanhamento nutricional e conversar com seu médico a respeito.

Referências:

https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/artrite-reumatoide/
https://www.rheumatology.org/I-Am-A/Patient-Caregiver/Diseases-Conditions/Rheumatoid-Arthritis
KROL A, ET AL. SCAND J RHEUMATOL. 2015;44:8‒12; 2. McInnes IB, Schett G. N Engl J Med. 2011; 365:2205‒19.

Para saber mais dados sobre a artrite reumatóide, acesse o infográfico.