Biomarcadores e a medicina de precisão – por que apostar nisto?

Biomarcadores e a medicina de precisão – por que apostar nisto?

02/07/18

A busca de um "sinalizador" capaz de identificar pacientes que mais se beneficiariam de drogas utilizadas para o tratamento do câncer não é recente, e basicamente desde o advento da hormonioterapia, praticamente todas as novas classes terapêuticas trouxeram consigo esta necessidade. As razões são várias e entre elas, o melhor entendimento de que não se deve expor um paciente à toxicidade do tratamento desnecessariamente, o que por vezes pode ser até mais deletério para sua condição geral do que a própria evolução do câncer. Além disto, custos advindos do desenvolvimento de terapias mais modernas e complexas trazem para os dias atuais o desafio de serem viáveis economicamente para o sistema, e voltamos à necessidade de encontrarmos este biomarcador capaz de selecionar pacientes com câncer que possam obter um maior benefício com seu tratamento.

Entra em cena a medicina de precisão que possibilita a identificação das características biológicas dos tumores de cada paciente e os tratamentos mais eficazes individualmente. Depois da recente evolução no tratamento do câncer obtido através de resultados promissores trazidos pela classe de medicamentos imuno-oncológicos, os biomarcadores representam um passo importante para superar mais um desafio: identificar o paciente certo para a droga certa, visto que nem todos os pacientes com a mesma doença respondem ao mesmo tratamento da mesma forma. Por meio dos biomarcadores – proteínas, genes e outras moléculas que podem indicar como as células tumorais se comportam –, é possível indicar a terapia adequada para cada paciente por meio de testes diagnósticos, alguns deles já frequentes na pratica clínica.

A evolução e o uso de biomarcadores caracterizando a medicina personalizada, ou de precisão, foi tema do principal congresso mundial sobre o câncer, o ASCO® Annual Meeting 2018 (Congresso da Sociedade Americana de Oncologia), realizado de 1º a 5 de junho, em Chicago, Estados Unidos. A velocidade do desenvolvimento de biomarcadores preditivos de resposta à imunoterapia e de novos testes para diferentes tipos tumorais já é uma realidade de grande relevância para a classe médica.

Inúmeros biomarcadores estão em pesquisa clínica, e alguns passam rapidamente a fazer parte da avaliação basal das amostras tumorais demonstrando um promissor componente preditivo. Atualmente o biomarcador mais frequentemente relacionado à imuno-oncologia é avaliado através do teste da proteína de morte celular programada 1 (PD-L1), que entre outras informações pode indicar em alguns tipos tumorais específicos a probabilidade de resposta ao tratamento com imuno-oncológicos. A análise de uma biópsia do tumor que aponta o nível de expressão da proteína PD-L1 pode identificar quem mais se favorecerá deste tipo de terapia. Quanto maior for esse valor, maior será a chance de benefício da terapia para o paciente, de acordo com seu tipo tumoral.

Uma iniciativa que utiliza a avaliação desse biomarcador entre outros, acontece no Brasil por meio de um esforço inédito que uniu três farmacêuticas multinacionais (AstraZeneca, Bristol-Myers Squibb e Pfizer) em torno de um objetivo comum: ajudar os pacientes que enfrentam o câncer de pulmão a obter, de forma mais rápida, a completa e precisa identificação de seu câncer – iniciando assim o tratamento mais adequado com mais agilidade, de acordo com as orientações do médico. Cada laboratório oferece um tipo de teste, utilizando a mesma amostra de tumor retirada para biópsia, de maneira sequencial, tornando possível reduzir o tempo de análise e, consequentemente, antecipar o correto diagnóstico da doença. 

O diagnóstico mais preciso possibilita a escolha correta dos medicamentos para cada tipo de tumor, abre-se uma nova era da medicina personalizada, contribuindo para que o paciente utilize o tratamento certo no momento certo.

Na busca permanente da ciência por soluções inovadoras para o tratamento do câncer, diagnósticos mais precisos obtidos através do avanço dos biomarcadores estão se tornando ferramentas cada vez mais importantes. Todo esse empenho tem sempre o objetivo de oferecer, para maior número de pacientes, ganho de sobrevida e qualidade de vida para quem vive com câncer.

Dra. Angelica Pavão, CRM 83493 SP

Diretora Médica Associada da Imuno-Oncologia e Hematologia da Bristol-Myers Squibb