Mulher sorrindo do busto para cima

Conheça a história de Luciana Fiorin

"Hoje eu realmente vivo, não apenas sobrevivo"

18/05/18

Meu nome é Luciana Fiorin, tenho 43 anos, sou dentista e moro em São Paulo. Descobri o melanoma em fevereiro de 2012. Era uma pinta que já existia em minha mama direita. Certo dia, percebi um discreto aumento nessa pinta. Marquei uma consulta no dermatologista que me acompanhava, que acabou cauterizando a pinta (o procedimento correto deveria ter sido a remoção da pinta e biópsia). A situação piorou, o local cauterizado começou a coçar e mudar bruscamente de cor, formato e tamanho. Voltei ao médico e ele resolveu cauterizar pela segunda vez. 

Após alguns meses resolvi procurar um cirurgião plástico para retirar a pinta. Uma semana após a remoção dos pontos, veio a notícia de um melanoma maligno e aquela sensação horrível, que não dá pra explicar.  

Fui encaminhada para o AC Camargo, onde fiz uma pequena cirugia para aumentar a margem de segurança e segui por 9 meses acompanhando com ultrassom na axila. Em fevereiro de 2013 ocorreu uma metástase na axila, fiz a cirurgia de esvaziamento axilar e comecei um tratamento imunoterápico em que sentia muito cansaço e indisposição. Após 1 mês, apresentei uma arritmia cardíaca e precisei interromper esse tratamento. Logo em seguida, realizei 20 sessões de radioterapia na axila, e quando terminei realizei um exame e descobri metástases no fígado. 

Iniciei um novo tratamento com outro medicamento imunoterápico e após 4 meses de tratamento, quando terminei, em janeiro de 2014, descobri o surgimento de outras novas metástases em outros órgãos.Foi aí que precisei realizar uma quimioterapia internada em UTI, foram 4 ciclos a cada 15 dias durante 4 meses. Deixar minha rotina e meus filhos em casa não foi nada fácil. Sem falar em vários efeitos colaterais e a inevitável perda de cabelos (que não foi nada, perto do que passei). Com muita fé e esperança passei por essa luta e tive alta do hospital na Páscoa. Foi meu melhor presente. Após esse tratamento, quando achei que tudo estaria bem, apareceram mais metastáses no Sistema Nervoso Central e precisei mais uma vez iniciar outro tratamento com uma medicação via oral, em que apresentei muitas reações indesejáveis e efeitos colaterais, e um deles seria a hipersensibilidade da pele com luz solar (poucos minutos exposta a luz do dia tornava minha pele bem sensível e avermelhada) . Enfim, em poucos meses nessa medicação tive a notícia do meu oncologista a respeito de uma nova medicação imunoterápica onde meu próprio organismo tentaria combater os tumores e melhor ainda, sem quase nenhum efeito colateral, e teria a oportunidade de realizar esse, que é meu atual tratamento, a cada 15 dias, durante 2 anos pelo protocolo do Hospital. Hoje estou finalizando 3 anos e meio de tratamento com boa resposta da medicação e sem nenhum efeito colateral.

A luta não é nada fácil , mas tenho certeza da cura, pois tenho 3 garotos aqui em casa que precisam de mim. O apoio da família e dos amigos é essencial nessa batalha, principalmente a fé. Estou vivendo um dia de cada vez . Vivo minha rotina normalmente, voltei a fazer tudo que sempre fiz até mais um pouco, mas agora dou muito mais valor aos pequenos detalhes.