Inovação, acesso e tecnologia: uma nova perspectiva para a oncologia contemporânea

Gaetano Crupi

Inovação, acesso e tecnologia: uma nova perspectiva para a oncologia contemporânea

04/04/18

Em mais de 40 anos de atuação na indústria farmacêutica me orgulho por ter participado, direta ou indiretamente, do lançamento de vários medicamentos que mudaram a vida das pessoas. Nesse período, no entanto, um desafio ainda me instigava: como encontrar a cura do câncer? Em maior ou menor grau, a evolução tecnológica dos tratamentos para essa doença ameaçava me dar a resposta que eu esperava. No entanto, devido a sua complexidade, o câncer ainda permanecia uma doença muito grave, afetando dramaticamente a vida dos pacientes, amigos e familiares.

De lá para cá houve grandes avanços e hoje sabemos que o câncer não é apenas uma doença: trata-se de um conjunto de enfermidades que precisam ser controladas e prevenidas. Além disso, o conhecimento a respeito da natureza das células tumorais provocou uma mudança de paradigma com relação a maneira de combatê-las. Isso se deu a partir do desenvolvimento de inovadoras tecnologias, como, por exemplo, a imunoterapia, considerada, em 2016, a mais promissora abordagem terapêutica pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).1

Desde o lançamento do primeiro medicamento desta classe, ocorrido em 2011 nos EUA, essa nova perspectiva de tratar a doença por meio de medicamentos que atuam no sistema de defesa do organismo tem causado impactos importantes na jornada enfrentada pelo paciente. Entre eles, um aumento da sobrevida e uma melhora significativa na qualidade de vida, possibilitando a esta população a manutenção de sua rotina, o que inclui realizar normalmente suas atividades profissionais durante todo o tratamento.

Mas a inovação não pode somente ocorrer na área médico-científica. É necessário abarcar toda a cadeia de valor, como acesso público e privado. Por esse motivo, o desafio não é apenas encontrar a cura do câncer, mas também ampliar o número de pessoas que se beneficiarão desta nova realidade e fomentar o debate acerca do acesso por meio da incorporação destas novas tecnologias, inclusive nos sistemas públicos de saúde. Estamos engajados nessa discussão global, pois precisamos identificar soluções que ofereçam esses medicamentos transformacionais aos pacientes, e que ajudem a reduzir o custo geral dos cuidados com a saúde e com a assistência médica. Este é um objetivo compartilhado entre a indústria biofarmacêutica e todos os stakeholders que fazem parte da cadeia que envolve o paciente.

A Bristol-Myers Squibb está impulsionando esse debate junto com o grupo multistakeholder GoAll, cujo objetivo é trabalhar o impulsionamento da oncologia contemporânea e a melhoria das políticas públicas e privadas para garantir o acesso e tratamento adequado aos pacientes diagnosticados com câncer. O GoAll é composto por um grupo independente de instituições que inclui a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC), a Bristol-Myers Squibb, FEMAMA, o Instituto Espaço de Vida, o Instituto Lado a Lado pela Vida, o Instituto Oncoguia, a International Myeloma Foundation Latin America e a Pfizer.

Uma das principais frentes de atuação do grupo é o envolvimento na discussão e aprovação do Projeto de Lei 12.732/17, que prevê a notificação compulsória dos casos de câncer no Brasil. Trata-se de um grande passo em direção ao objetivo de facilitar o acesso aos tratamentos em benefício de uma população crescente, pois de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), devemos ter 600 mil novos casos de câncer por ano entre 2018 e 2019.2

Com mais essa iniciativa, a Bristol-Myers Squibb demonstra o seu verdadeiro compromisso com os pacientes e reforça o interesse em liderar essa discussão que está apenas começando. Mas, somente trabalhando em parceria com todos os stakeholders, será possível prever, diagnosticar e dar acesso ao tratamento correto desta população. Precisamos juntos inovar em prol do paciente!

* Gaetano Crupi – Presidente da Bristol-Myers Squibb no Brasil.

Fontes:

1.     https://www.asco.org/research-progress/reports-studies/clinical-cancer-advances/advance-year-immunotherapy-20
2.     http://www.inca.gov.br/estimativa/2018/