Mulher do busto para cima com óculos

Prevenção é a principal estratégia para reduzir a incidência do câncer de cabeça e pescoço

27/07/18

27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, doença que deve atingir cerca de 42 mil brasileiros¹ no biênio 2018/2019. Os números fazem parte do levantamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) que considera todos os tumores da cavidade oral, seios da face, laringe e faringe, tumores de tiroide, glândulas salivares, músculos e nervos dessa região.

Embora o câncer de cabeça e pescoço seja o segundo tipo mais incidente da doença entre os homens, atrás apenas do câncer de próstata², pouco se houve falar nele. De acordo com a Associação de Câncer de Boca e Garganta – ACBG Brasil, o diagnóstico é tardio em pelo menos 60% dos casos, impactando diretamente nas taxas de sobrevida da doença e na qualidade de vida dos pacientes.

Atenta a estes números e ao fato da boca ser um dos principais alvos deste tipo de câncer, a ACBG instituiu a campanha Julho Verde, cujo objetivo é estimular a prevenção da doença no país.

Principais causas e sintomas

Assim como os demais tipos de câncer, o câncer de cabeça e pescoço está diretamente relacionado ao tabagismo e ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas. A propagação do vírus do HPV (papilomavírus humano), principalmente entre os jovens, também tem colaborado para que a incidência da doença aumente no país.

Em fases iniciais este tipo de câncer não apresenta sintomas evidentes, mas alguns sinais podem chamar a atenção do paciente à medida que a doença progride. Entre eles, os principais são:  rouquidão, manchas na boca e sangramento na cavidade oral e dor ou desconforto à deglutição.

Por isso, a principal preocupação quanto a importância de se realizar um diagnóstico precoce é, entre outras, a de se evitar que o paciente tenha sequelas irreversíveis e aparentes, uma vez que a doença pode comprometer estruturas da face e pescoço e tem um impacto muito grande na qualidade de vida e autoestima.
 

Estágios e tratamentos

Em estágios iniciais, I ou II, o tumor pode ser menor ou maior que dois centímetros. Entre as fases III e IV, o tumor invade outros tecidos e pode alcançar órgãos mais distantes como os pulmões, o fígado ou até mesmo os ossos.

A forma de tratar o câncer de cabeça e pescoço depende de cada caso. Por isso o paciente diagnosticado deve ser avaliado individualmente por um especialista e, que a partir daí, define a melhor estratégia de tratamento a ser adotada. Nos estágios iniciais da doença (I e II) as opções de cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia são usadas em conjunto para curar o paciente. Nos casos mais avançados (estágios II e VI), os pacientes podem se beneficiar com a utilização da imunoterapia, opção de tratamento disponível também no Brasil.

De qualquer forma é bom reforçar que o diagnóstico precoce sempre é a melhor forma de combater este tumor que, nestas condições, apresentam altas taxas de cura.

Se por um lado o que temos de mais positivo é a evolução dos tratamentos de câncer de cabeça e pescoço, melhorando a qualidade de vida do paciente com sobrevida significativa, por outro a carência de informação ainda se coloca como um empecilho para reduzir as taxas de incidência crescentes.

O alerta sobre esta doença durante o mês de julho é fundamental para aumentar o conhecimento e contribuir com para sua prevenção

Dra. Angelica Pavão, CRM 83493 SP
Diretora Médica da Bristol-Myers Squibb

Referências

  1.  http://www.inca.gov.br/estimativa/2018/
  2.  https://www.cancer.net/cancer-types/head-and-neck-cancer/2